Nada de guarda-chuva em Paris! É uma lei!

Sabrina_Linus_carro_chapeu

Sabrina Fairchild & Linus Larrabee

A frase é de Sabrina Fairchild. Ou de Samuel Taylor/Ernest Lehman e Billy Wilder, roteiristas e diretor de Sabrina, de 1954.  De qualquer modo, é uma lei sempre válida e que eu sigo à risca 😉

Porque em Paris chove muito, mas não é aquela chuva torrencial do Brasil tropical.  É mais uma garoa, totalmente administrável quando se está com um bom sapato, um casaco adequado e uma écharpe, o trio de ouro do flâneur.  Bem pior que a chuva é o vento: venta muito e venta sempre!  Portanto, é melhor andar mais leve e preocupar-se em estar adequadamente vestido para aproveitar ao máximo: com chuva ou sem chuva, é Paris!!

Mais ainda do que uma lei, andar sem guarda-chuva é um estado de espírito. Não por acaso, essa frase é dita logo após a protagonista Sabrina cantar um trecho de La Vie en Rose, a música eternizada por Piaf como um hino de Paris: Il me dit des mots d’amour, des mots de tous les jours, et ça me fait quelque chose (ele me diz palavras de amor, palavras de todos os dias, e isto faz qualquer coisa em mim).

Já há alguns anos que venho andando mais leve, ou pelo menos tentando 😀

Comecei o post para descrever à minha irmã a melhor maneira de vestir-se no inverno parisiense. Lembrava de uma frase: “Não existe muito frio, e sim pessoas que não se vestem adequadamente”.  Não consegui localizar essa referência, mas escontrei esse texto do Rodrigo Lavalle (que colabora para o Conexão Paris), que diz mais ou menos a mesma coisa.

Ainda que seja inverno, é válido deixar o guarda-chuva/sombrinha em casa e investir no que vai manter o corpo aquecido (e seco): um sapato fechado impermeável que também seja confortável para caminhadas, subidas e descidas de escadas, e ainda rapidamente limpável e secável, preferencialmente com solados de borracha, pra não escorregar e estragar a viagem (resumindo: uma bota); e um casaco impermeável e forrado.  Mesmo nos meses menos frios deve-se ter à mão um casaco (um cardigan, um suéter) porque, à noite, pode ficar bem fresquinho.

A arte de não deixar o calor do corpo sair e de bloquear o frio é algo que está no sangue dos europeus assim como o suingue está no dos cariocas 🙂  Então, todo parisiense anda com o pescoço protegido toujours.  Écharpes, cachecóis, mantas e pashminas são usados por mulheres e homens, sem distinção!! Além do pescoço, alguns cobrem a cabeça, outros ainda cobrem as orelhas.  Pode parecer estranho pra gente porque sentimos o frio nas mãos e pés, mas, entretanto, todavia, ao cobrir a cabeça e as orelhas a sensação térmica melhora. Pelo mesmo motivo que, em casos de hipotermia, os dedos dançam o.O    Isso acontece pela singela razão de que nosso organismo (de tooooooodos nós) entende a cabeça e o coração como prioridades absolutas, então, somos programados internamente para mantê-los aquecidos, usando/desviando todo o calor disponível no corpo nessas/para essas áreas, ‘desligando’ o sistema nas extremidades.  Traduzindo: o argumento de que não sente frio na cabeça NÃO é válido!! Se estiver com frio nas orelhas e/ou cabeça, a situação estará bem ruim, viu??  Faça como os locais (que aprenderam com suas mães e avós) e coloque logo um chapéu, boina, gorro ou algo que o valha, e um cache oreille ou um polaire cache oreille e aproveite mais seus passeios!! (de quebra, pare com o funga-funga no ouvido dos outros!! hehehe) Particularmente, embora uma boina e um polaire serem mais facilmente ‘escondíveis’ na bolsa (por serem dobráveis), j’adooooore um chapéu e um cache oreille 😛   Cada um com seus problemas, né?

Isso de retirar o chapéu, ou boina, ou gorro whatever da cabeça vai acontecer sempre que se entrar em algum lugar. Qualquer lugar.  Graças ao bom e velho (ou novíssimo) aquecimento. E em alguns lugares o aquecimento é tão bom, tão forte, que acredito seja o mais próximo que chegarei do Inferno de Dante: atravessando as águas e sangue ferventes do Rio Estige em direção ao Cemitério de fogo. Sério, é tipo Rio 40 graus.  Uma vez tivemos que sair meio às pressas do Angelina do Jardim de Luxemburgo porque estávamos quase sufocando depois do chocolate quente (dica: peça o chocolate quente à emporter e tome na rua; lá dentro, peça comida e no máximo um chazinho).  E isso depois de tirar chapéus, cache oreilles, casacos e luvas.  E por falar nelas, há milhares de opções de luvas, para todos os gostos e todos os bolsos. Como moro no sul do Brasil, no Rio Grande do Sul, tenho uma coleção infindável delas e, a cada inverno, compro e ganho muitas mais (beijo pra todos que já me presentearam com luvas, adoro!!).  Então, tenho para várias temperaturas 😉   mas se fosse adquirir uma única para o inverno, seria uma luva mais fininha (preta ou cinza), que mantivesse a sensibilidade táctil (permita usar a máquina fotográfica, por exemplo) e casaco com bolsos.  Pra mim não funciona aquela luva sem dedos.  Nem as forradas, que são muito volumosas, não se adequam à todas as situações e são difíceis de guardar.

Enfim, dessa forma é perfeitamente possível caminhar na chuva em Paris como se fosse sempre primavera ou verão. E se, por acaso, você der o azar de pegar um raro temporal, entre em algum dos inúmeros cafés da cidade e espere o tempo melhorar – nesses casos, nenhum guarda-chuva salva!!!  😀

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